O peixe que queria ser pescado

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5 de Junho de 2011 por wesleycoresma

Certa vez, cobradores de impostos chegaram às portas da casa onde o Mestre estava, e Pedro, aproveitando o ensejo, perguntou a Ele sobre a forma de cobrança de impostos no tal Reino que eles pregavam. O Cristo explicou que impostos são cobranças àqueles que se servem dos benefícios de estar vivendo segundo aquela regras. Estes não são cobrados de filhos, apenas dos servos com vínculo empregatício.

Completa que esse Reino não seria possível neste mundo, coisa que nem seus discípulos mais próximos eram capazes de compreender. Por isso, convinha que mesmo Ele, mesmo sendo Deus, pagasse as imposições mesquinhas desta existência. Cada reino tem suas regras.

Em sua natureza onisciente, sabia onde as fortunas deste mundo estão perdidas (parece que sinto a boca dos gananciosos salivar com esta revelação: vai ter gente “clamando” por esta revelação especial de Jesus. Não é engraçado. É trágico).

Jesus sabia que um peixe, em um rio, estava entalado com o dinheiro necessário para pagar aquela dívida. Havia um discípulo pescador que obedecia as ordens do Mestre. Fez então a soma destes dois fatores.

“Vai, pesca o peixe e de dentro dele, tira o pagamento do imposto…”

Essa é a história do peixe…

Para aquele peixe, aquilo não tinha valor algum. Na verdade, aquilo estava entalado, engasgando-o por dias sem fim. No processo de vida de um peixe, ele engoliu – sem saber talvez? – algo que não devia, e agora, vivia com aquilo o machucando. Ele já não era o mesmo peixe, e o resto do cardume – pelo menos os mais próximos – notavam que seu comportamento pisciano era cada vez mais estranho, parecia esconder algo. Ele, o Jão Peixe, sempre tão equilibrado, andava acabrunhado, esquisito, desequilibrado…

As vezes, Jão – seu nome foi trocado para preservar a identidade de quem não tem nada haver com o peixe – imagina que aquilo que engoliu terá um valor enorme para alguém, e que um dia tudo aquilo que o ordinário peixinho passa fará algum sentido. Claro que haviam dias que aquela agonia parecia ser apenas agonia. As vezes, ele caia na real: para tirar isso de mim só um pescador! Não tem jeito!

Mas que peixe, em sã consciência, quer ser pescado?

Melhor viver com aquilo, e morrer lentamente, como os que vivem entalados por tantas coisas: mentiras, pecados, sapos e lagartos, segredos inconfessáveis que cada peixe leva entre suas barbatanas.

Foi de repente: Um anzol o puxa, seu algoz o leva para fora do mundo em que está submerso. Ele vem a mando de alguém que sabe o que ele tem e sem pedir licença, abri sua boca e arranca a razão de seu desespero. O peixe é devolvido ao rio, seu propósito foi cumprido. E isto o desafoga de dentro de si mesmo.

Jão, o peixinho, teve, por um momento, contato com um outro mundo, o mundo além de sua rotina, e isso foi suficiente para remover as coisas que traziam sua morte. Talvez ele um dia esqueça qual foi o resultado deste encontro, ou mesmo imagine que nunca houve uma dracma entalada em seu estômago. Mas o pescador não esqueceu. Ele sabia a quem servia e seu propósito, e naquele dia, soube que tudo a nossa volta está a disposição do Criador das Estrelas.

Por Zé Luís, articulista

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