Religião ajudou a evolução humana, mas ‘secou’, afirma psiquiatra

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19 de Junho de 2011 por wesleycoresma

Quando se trata de religião, temos a tendência de falar sobre “o que” nós acreditamos em vez de “por que” acreditar. Em seu livro “Por que cremos em Deus (s): um guia conciso para a Ciência da Fé” (Why We Believe in God(s): A Concise Guide to the Science of Faith), J. Anderson Thomson, psiquiatra de Virginia (EUA), oferece uma resposta científica a essa questão.

Ele argumentou que a religião desempenhou um papel fundamental na evolução humana, mas já deu o que tinha de dar — “secou”. Thomson respondeu por e-mail as perguntas desta entrevista.

Qual é a sua expectativa ao escrever uma explicação evolutiva de crença religiosa?

Thomson: Em primeiro lugar, espero ajudar as pessoas a compreender que as raízes da crença religiosa dentro de cada um de nós e que essa psicologia é muito fácil de entender. Para isso, escrevi um pequeno e acessível  livro ao leitor interessado sobre o assunto. Como ideia de Darwin sobre a seleção natural, a psicologia da religião é extremamente fácil de entender.

Pesquisadores de várias disciplinas mapearam os mecanismos de mentes humanas para entender como as crenças religiosas são criadas e difundidas. Através de estudos de neuroimagens, esses pesquisadores descobriram que não há no cérebro uma região específica para a ideia ou conceito de Deus. O cérebro utiliza, nesse caso, diferentes regiões que se desenvolveram para outros fins, a partir da necessidade de interação. Meu outro objetivo, com esse livro, é introduzir um novo conhecimento no debate sobre o papel da religião na sociedade americana.

Com os grandes avanços da ciência e da tecnologia, por que a religião ainda tem uma influência poderosa sobre as pessoas?

Religião surge da nossa humanidade básica e, por isso, independe da tecnologia. Dentro desse nosso crânio moderno ainda há um cérebro da Idade da Pedra, e os mesmos mecanismos [do cérebro] que proporcionaram a evolução de nossa espécie também criaram a religião.

Um desses mecanismos é a necessidade de apego emocional e proteção de alguém íntimo. Por isso, o cérebro criou Deus (s) como um super pai, muito mais poderoso do que nós e é por isso que nós nos voltamos para ele (s) em momentos de aflição.

Alguns crentes não veem nenhum conflito entre ciência e religião. Mas no sistema educacional há uma batalha sobre os defensores da evolução e os do criacionismo e do design inteligente. Quem vai prevalecer?

Há conflitos irreconciliáveis ​​entre a ciência e a religião. A religião era a cosmologia original da humanidade, biologia e antropologia. Ele forneceu explicações para a origem do mundo da vida e a dos seres humanos. Mas a ciência agora nos dá explicações cada vez mais completas para tudo isso. Sabemos que as origens do universo, a física do big bang e como os elementos químicos básicos se combinam para formar em supernovas [estrelas]. Sabemos que a vida neste planeta se originou cerca de 4 bilhões de anos atrás e que todos nós somos descendentes de uma molécula original, que se replicou.

Graças a Darwin, sabemos que a seleção natural é a única explicação viável para o design e a variedade de toda a vida neste planeta. Paleoantropólogos e geneticistas têm reconstruído a maior parte da árvore da vida humana. Estamos ressuscitando macacos, não anjos caídos. Nós somos o sobrevivente e o mais bem sucedido hominídeo africano. Cada pessoa na Terra, cada uma dos 7 bilhões delas, surgiu há 50.000 anos a partir de pequenos grupos de caçadores e coletores africanos de alimentos de uma população total entre 600 e 2.000 indivíduos.

A teoria da evolução agora faz parte do mapa da mente humana e os mecanismos da construção de deuses e de ideologias religiosas se tornaram vulneráveis — houve um avanço cognitivo. Assim, qualquer um para se considerado educado neste século 21 tem de estar familiarizado com os mecanismos da evolução da espécie.

Ainda que os defensores do criacionismo estejam obtendo seguidores [nos Estados Unidos], é só uma questão de tempo para ciência vencer a religião. A artilharia da ciência é pesada porque é composta por armas poderosas: provas.  A questão não é mais saber se a religião vai ‘secar’ completamente, mas quando.

Blog: wesleycoresma.wordpress.com
Tradução do Austin American-Statesman

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